terça-feira, 11 de junho de 2013

Manifesto por um transporte público de verdade.



     No Brasil inteiro explodem manifestações em luta contra o aumento das passagens dos sistemas de transporte coletivo; Teresina viveu em 2011 e 2012 os momentos mais tumultuados da sua história recente, o movimento #contraoaumento das passagens de ônibus da cidade mostrou de forma inquestionável que a juventude está acordada e o movimento social está organizado, e que é urgente que se discuta para que se chegue efetivamente a um novo modelo de transporte coletivo.
      Dentre as propostas mais relevantes do movimento social, especialmente do Fórum Estadual em Defesa do Transporte Público, está a municipalização das linhas de ônibus, mas o que vem a ser isso? De que forma e em que medida isso poderia se operar?
      Desde já é importante afirmar que cada cidade deve pensar com seus cidadãos um modelo adequado para o seu sistema, digo pensar democraticamente, com o povo, os movimentos sociais, os estudantes autônomos, os trabalhadores do transporte, enfim, um pensar coletivo, e não a criação de acordões de gabinete redigidos a portas fechadas.
      Dito isso, trago ao texto dois modelos de municipalização propostas em algumas cidades do Brasil e já implantadas em outras partes do mundo, que longe de serem mera conjectura, representam saídas reais para uma solução de longo prazo para a questão do transporte público:
      Pelo primeiro, a prefeitura da cidade tomaria o serviço para si, determinaria as linhas e uma tarifa razoável, e os empresários de transporte passariam de “donos” do sistema, para meros locatários de ônibus, ou seja, o SETUT, que hoje controla absolutamente tudo, desde a bilhetagem, novas linhas e quantidade de ônibus, a até a destinação do valor auferido com publicidade, passaria a simplesmente alugar os ônibus por um valor fixo, assim, a Companhia Municipal de Transportes arrecadaria o dinheiro e repassaria para as empresas de acordo com a quantidade de ônibus e horas que eles ficaram rodando nas ruas.
      Esse modelo é claramente o mais limitado e passaria muito longe de resolver os principais problemas do sistema, pois não exclui o ponto principal para o alto valor da passagem de ônibus em Teresina: o lucro.
    Já outro modelo, o de prestação direta dos serviços, seria configurado através da criação de uma Companhia Municipal de Transportes que trabalharia diretamente com todos os aspectos do sistema, principalmente a compra e manutenção de ônibus, sumiria de cena a figura do empresário e do lucro, e emergiria a figura do conselho executivo composto estudantes, entidades sindicais, membros da prefeitura e principalmente por quem mais entende de transporte: os trabalhadores do sistema. Assim, todo o valor arrecadado com venda de passagens seria revertido para a manutenção e melhoria do todo.
     Sem dúvida alguma o segundo sistema é o mais adequado, pois só ele é condizente com um projeto democrático e eficiente de transporte.
      Não faz sentido algum que uma cidade que beira 1 milhão de habitantes seja colocada de joelhos por um punhado de empresários (13 empresas) que determinam há mais de 30 anos quando e em quanto será o aumento das passagens, está mais no que na hora de o Teresinense levar democracia a sério e tomar (ầ força?) o seu papel de protagonista nos rumos da cidade.
      Muito menos razão há para a manutenção da figura do lucro, quando se sabe que é o suor do trabalhador que sustentará uma elite empresarial que transformou o direito à cidade em uma mercadoria.
      É preciso um debate longo e profundo com a sociedade para que se chegue a um consenso sobre qual modelo de sistema de transporte coletivo construir, não há respostas prontas ou fórmulas perfeitas, antes de tudo é mais que necessário um exercício de democracia, e isso só será possível através da superação da lógica do lucro, esse é o primeiro passo para um transporte público que seja público de verdade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário